A Dinâmica dos Instintos e o Eneagrama

A despeito da nossa evolução biológica, psíquica e antropológica, mantivemos intactos um conjunto de instintos básicos fundamentais que nos influenciam e direcionam inconscientemente e, principalmente, controlam e moldam nossa personalidade que são os instintos autopreservação, “sexual”-transmissor e social.  

O conceito de instintos no Eneagrama pega carona e bebe da fonte da biologia, do darwinismo e principalmente da psicanálise. No conceito psicanalítico, chamamos esses instintos de “libido”, a força motriz do nosso comportamento.

Esses três instintos fazem parte da nossa “inteligência inconsciente”, baseada no corpo, e são essenciais para o atendimento das nossas demandas biológicas, fisiológicas, psíquicas e emocionais, nos fazendo focar em nossas necessidades mais primitivas as quais se manifestam e procuram se materializar através do ego (personalidade). Os instintos estão enraizados profundamente em nossa natureza inconsciente (Id) e, supostamente, ajudam na nossa sobrevivência como indivíduos e como espécie e se relacionam com o nosso “anima/animus”, através dos quais a nossa psique se move. 

Imagine a personalidade como sendo um barco  navegando em um rio ou oceano só com a ajuda de remos (esforço consciente). Os instintos são a correnteza do oceano ou dos rios que empurram e levam esse barco. Por mais que nos esforcemos com o remo, acabamos indo para onde a correnteza quer nos levar. 

O impacto e a influência dos instintos na nossa personalidade acabam sendo decisivos e fundamentais e o Eneagrama reconhece esse impacto e o traduz através do conceito de “subtipos”. Sob a influência dos três instintos, os noves perfis de personalidade do Eneagrama se desdobram em vinte e sete subtipos. Cada eneatipo, portanto, se subdivide em autopreservação, social e sexual-transmissor o que explica a diferença (as vezes bem acentuada) de comportamento de pessoas com o mesmo eneatipo, muito embora as motivações básicas, medos, padrões emocionais, estratégias cognitivas e comportamentais sejam exatamente as mesmas não importando qual instinto seja dominante, mas a influência dos instintos acaba “customizando”ou “modelando” a personalidade do eneatipo de acordo com suas próprias necessidades. Um eneatipo 7 autopreservação, por exemplo, é bem mais discreto, conservador, menos agitado, mais focado e direcionado para a família e para questões do seu instinto principal (saúde, dinheiro, casa, alimentação, etc). A descrição do eneatipo 7 que vemos no livros é, sobretudo, a descrição do eneatipo 7 social.

Os instintos explicam as diferenças de comportamento e atitude entre pessoas do mesmo eneatipo, mas também explicam as semelhanças entre os diferentes eneatipos já que eles compartilham das mesmas preocupações, necessidades e direcionamento relativos aos seus instintos. Todos os nove eneatipos autopreservadores, por exemplo, tem as mesmas preocupações com a saúde, dinheiro, trabalho, casa, conforto, bem estar, alimentação só que cada um irá adaptar essas necessidades e preocupações instintivas as suas respectivas estratégias egoicas. A energia, intensidade, volúpia e certa agressividade do instinto sexual-transmissor serão bem marcantes em todos os nove eneatipos, mas devidamente adaptados e customizados de acordo com as características de cada personalidade. O eneatipo 9, sob influência do instinto sexual-transmissor, se torna mais presente, mais charmoso, se posiciona mais, parece ter mais brilho e autoestima que o discreto e pacífico eneatipo 9 dos livros, sendo muitas vezes confundido com um eneatipo 3.  A descrição básica que conhecemos do eneatipo 8 é do eneatipo 8 sexual-transmissor. Toda agressividade que conhecemos do 8 se intensifica quando esse 8 tem como instinto principal o sexual-transmissor. O eneatipo 8 social ou autopreservação são bem mais “calmos”,  gregários e amigáveis. 

Portanto, descobrir qual é a sintaxe dos seus instintos (principal/coadjuvante e reprimido) é fundamental para trabalhar efetivamente no desenvolvimento do seu próprio eneatipo. Nos nossos workshops e treinamentos e até no atendimento pessoal (coaching) iniciamos com a apresentação dos nove eneatipos, apresentamos esse material sobre instintos para depois mergulharmos definitivamente nos 27 subtipos. 

Dinâmica dos Instintos

Assim como acontece com as nossas cinco emoções básicas, nascemos pré-programados com esses três instintos; autopreservação, social e “sexual”-transmissor no entanto, nos sentimos atraídos pelos impulsos, necessidades e os benefícios gerados por um instinto especificamente o qual irá comandar, direcionar, moldar e influenciar completamente a nossa personalidade. Um segundo instinto tem o papel meio híbrido de coadjuvante ou de “apoio”ao instinto preferencial atuando praticamente em dupla o que impõe dificuldade na identificação do instinto principal. Ficamos sempre fica na dúvida entre o instinto principal e o coadjuvante. O terceiro instinto será negligenciado, reprimido e não fará parte das nossas preocupações e necessidades inconscientes e quando as circunstâncias de vida nos direcionarem para ele, por uma imposição ou necessidade, nos sentiremos meio como um “peixe fora dágua” sem recursos e habilidades porque a nossa personalidade estará totalmente sob influência e preocupada em atender as necessidades e demandas do instinto principal e do coadjuvante (apoio). Este instinto reprimido é facilmente identificável. A gente percebe que ele não nos faz falta ou não gostamos ou não nos interessamos pelos “benefícios” dele. 

 

Outra característica observável é que os três instintos tendem a obedecer a uma sintaxe ou sequência específica no sentido horário, conforme as setas da figura abaixo. Sendo assim, quem tem o instinto autopreservação como principal, normalmente tem o instinto social como segundo e o sexual-transmissor como terceiro (reprimido). Quem tem o instinto social como principal, geralmente tem o instinto sexual-transmissor como segundo e o autopreservação como o reprimido. O indivíduo que tem o instinto sexual-transmissor como principal, tem o instinto autopreservação como o segundo e o social reprimido. 

 

 

Instinto   “AUTOPRESERVAÇÃO” 

É o primeiro instinto a ser formar e evoluir em nós, remetendo-nos  às necessidades básicas de sobrevivência.  A preocupação, o foco e o esforço inconsciente do indivíduo que tem esse instinto como o seu principal se voltam para a alimentação, a saúde, a integridade física, a segurança, o bem estar geral, o conforto, a casa, o dinheiro, os recursos materiais e preocupações práticas do dia-a-dia que envolvam todas essas temáticas. Esse instinto da ao indivíduo uma natureza, digamos, “autocentrada” no sentido de que ele envidará esforços primeiramente visando atender os seus objetivos e necessidades para depois se direcionar para os outros (” farinha pouca, meu pirão primeiro”).  Pessoas com o instinto autopreservação são muito focadas no trabalho, nos meios de sobrevivência. Esse instinto da ambição material e uma sensação de que nunca tem recursos materiais, dinheiro, condições de vida suficientes e que, portanto, é preciso lutar para conseguir mais e mais. Gostam de acumular, estocar, seja dinheiro, alimentos, remédios, roupas, “coisas” em geral. São materialistas por natureza. Preocupações filosóficas ou humanitárias não lhes chamam muito a atenção a não ser que representem uma ameaça a sua segurança e bem estar. São muito voltados para o seu refúgio (casa, família). Esse instinto da uma natureza conservadora e precavida. Não gostam de assumir riscos porque temem perder o que conquistaram e por isso relutam em tomar decisões sem estarem certos do “ganho”. Também são refratários às mudanças pelos mesmos motivos.

Vários clientes meus cujo instinto principal é o de autopreservação me relataram que eles sentem uma necessidade de ter a posse e a propriedade das coisas, de serem “donos” de fato e de direito. Não basta usar, usufruir de algo; eles precisam sentir que esse algo lhes pertence.

Outra característica encontrada em alguns autopreservadores é aquele fenômeno do “homesick”. Nunca parecem relaxar longe de casa. Tive uma cliente cujo trabalho a obrigava a viajar pelo mundo todo. O que poderia ser o trabalho dos sonhos de muita gente para ela é um “incômodo” a ponto de provocar ansiedade. Ela nunca consegue relaxar e aproveitar as viagens. Quanto mais longe, pior. Fica sempre contando as horas ou os dias para retornar ao seu “santuário”, “sua cama”, “sua cozinha”, “seus lençóis e travesseiros”,”beber seu café na sua caneca”, sentir o “perfume do seu lar doce lar”.  

Não convide pessoas com instinto autopreservação para passeatas, manifestações ou engajamentos sociais (motivações típicas dos instintos sociais, principalmente, e sexuais-transmissores). Eles estão mais preocupados com seus próprios interesses, suas contas a pagar, o jantar, seu conforto … “Passeata política ? Hummmm, tô fora. Parece que vai chover, de repente posso pegar um resfriado, melhor ficar em casa comer uma pizza e assistir a uma série no Netflix”. 

Adoram shopping centers, supermercados, lojas de decoração ou de produtos para a casa, se importam com marcas e grifes focando fortemente na qualidade do que consomem, muito mais do que pelo status em si. Podem existir variações de foco no instinto autopreservação. Algumas pessoas preferem se preocupar mais com a saúde em primeiro lugar ao invés de focar no dinheiro, no trabalho e nos bens materiais ou então muitos focarão no trabalho em detrimento da saúde, enfim, as preocupações podem variar, mas sempre restringirão aos mesmos aspectos e necessidades numa espécie de rodízio. Se ele adoecer, a preocupação será com a saúde. Se ficar desempregado, a preocupação será predominantemente com o trabalho e com o dinheiro. É interessante observar essas variantes dentro do próprio domínio do instinto. Não quero dizer também que todos que tem o instinto autopreservação como dominante sejam  materialistas, ambiciosos e workaholics, que só se preocupam com dinheiro e seu bem estar, mas, definitivamente, guardando as devidas intensidades e disfuncionalidades, não há como fugir muito desse padrão no entanto, por influência do segundo instinto, o coadjuvante ou de apoio, essas preocupações e necessidades podem se tornar menos intensas e mais difusas.  

Pessoas com instinto autopreservação são mais introvertidas, fechadas, reservadas e pouco expansivas. Ela parecem querer economizar a própria energia para “se guardar”, “se preservar”. 

O instinto autopreservação, quando em estado mal adaptativo e disfuncional, pode provocar tanto avareza extrema como um consumismo desenfreado, além de hipocondria ou desleixo com a própria saúde, medo de derrocadas financeiras, transtornos alimentares, colecionismo, acumulação, além de explicar parcial e contextualmente alguns comportamentos motivados por uma extrema ambição como a corrupção e as fraudes. 

 

Instinto “SOCIAL”

Pessoas cujo instinto principal é o “social” sentem uma necessidade de pertencimento, identidade e integração com grupos sociais, sejam eles família, amigos, trabalho, política, esportes, lazer, etc, dependendo do campo de interesse e/ou atuação. Sentem-se seguros ao se integrarem a esses grupos. Uma frase comum à aqueles de instinto social é : “se tenho amigos, tenho tudo que preciso”ou “quem tem amigos (no plural) não morre pagão”.  

O instinto social nos ajuda a navegar em direção às pessoas no sentido de ter uma percepção de status social, costumes culturais e da uma habilidade de saber em quem podemos confiar e desenvolver relacionamentos, como um determinado grupo funciona e como podemos ser aceitos e nos inserir nele ou então formar grupos, influencia-los e controla-los.  

O instinto social da ao indivíduo um temperamento afável, receptivo, aberto, “antenado” e extrovertido, mas não tão transparente assim. A abertura é só o suficiente para ser aceito no grupo. Sua capacidade de estreitar laços e fazer conexões é um ativo importante e acaba sendo muito valorizado e recompensado. Nunca estão sozinhos e essa habilidade em se conectar e criar redes de contatos os ajuda a sentirem-se seguros, protegidos e suportados. 

Pessoas com instinto social predominante sempre estarão ligadas ativamente ou filiadas à alguma (ou algumas) entidades de classes, associações ou grupos socialmente definidos e identificados. Ficar sozinhos, isolados, sem contatos ou conexão lhes é apavorante, alienante e impensável.  

Quem tem o instinto social dominante sente um impulso e uma necessidade de obter respeito, admiração e prestígio e fará de tudo para consegui-lo. Essa necessidade é tão forte que pode vir a distorcer as intenções verdadeiras no sentido de que, algumas vezes, o reconhecimento e a busca por prestígio e até poder acabam sendo o fim em si mesmo e não a satisfação pela integração. Quando esse prestígio não vem, muitas vezes o indivíduo com instinto social dominante poderá fazer parecer que tem algum prestígio. 

Outra característica de quem tem o instinto social como dominante é a percepção quase imediata da cultura, dos valores, da dinâmica, do humor e da “vibe” do grupo. Isso faz com que se adequem, se encaixem e se adaptem com extrema rapidez. 

São naturalmente “fofoqueiros”. Gostam de comentar e saber “quem é quem” na comunidade e dão mais importância e crédito a opinião do grupo ou de terceiros (dependendo da hierarquia e influência desses terceiros no grupo) do que a própria opinião (ao contrário dos autopreservadores e sexual-transmissores que se preocupam com a própria vida e “não querem saber da vida de ninguém”). 

A energia e o foco inconsciente do instinto social, portanto, acabam sendo sempre direcionados na busca pela interação, inserção, manutenção, influência, prestígio e na sensação de segurança e identidade que os grupos proporcionam.  

Quando o instinto social está em estado mal adaptativo, disfuncional, da ao indivíduo um comportamento paranoico na busca de status e prestígio social chegando as raias da ambição pelo “poder” (muito comum na política). Pode vir a pensar : “se eu não consigo influenciar minha comunidade ou não for reconhecido por ela isso significa que eu não sou ninguém”. Paradoxalmente, pode vir a se alienar totalmente, perdendo a identificação com os grupos existentes idealizando uma sociedade ou comunidade utópica. Pode vir a incorrer em mentiras, logro e fraudes na tentativa de conquistar a todo custo esse poder ou “prestígio social”. Quanto mais prestígio, mais segurança e senso de pertencimento e identidade.   

A pessoa cujo instinto social é o principal dentre os três instintos tem uma preocupação, um gasto de energia e foco inconsciente na busca, acima de tudo, de segurança, respeito, admiração, reconhecimento e influência, senso de identidade e integração no relacionamento com os amigos e com os grupos nos quais está inserido. Só em ser aceito e se sentir integrado a sua “patota”, seja qual for,  da uma enorme satisfação e sensação de segurança. 

Pela dinâmica e sintaxe dos instintos, uma pessoa cujos instintos sejam social/sexual-transmissor (so/sx) ou vice e versa detém enorme carisma e poder de liderança. Pude testemunhar isso trabalhando como coach para um cliente social/sexual-transmissor extremamente carismático. Mesmo eu sabendo de tudo isso não conseguia deixar de me contagiar pelo carisma dele. Uma pessoa extremamente agradável, simpática, amável, afável, gregária e com uma capacidade impressionante de convencimento e conquista de simpatia. Orientei-o no sentido de ter total consciência desse potencial, além de tomar cuidado com as armadilhas porque ele perdia muito tempo, gastava energia e recursos se inserindo e administrando vários grupos profissionais e de contatos. Outra armadilha é que ele muitas vezes se satisfazia enormemente (ganho secundário) na interação com os grupos e deixava as questões práticas de lado como fechar negócios ou focar nas necessidades específicas dos clientes. Como o instinto autopreservação dele é reprimido, ele não conseguia ter uma ambição financeira no sentido de tirar proveito dos seus contatos. O que o satisfazia eram os contatos, era estar com as pessoas. Só em alguém ligar ou em ter uma reunião ou então fazer uma apresentação ou palestra, tudo gratuitamente e até gastando seus próprios recursos, já o satisfazia. Orientei-o sobre essa questão e hoje ele está plenamente consciente e consegue “lucrar” com seus contatos e usa sua capacidade de liderança de uma forma mais produtiva. Parece que vai ingressar na política como vereador de sua cidade. Com isso ele pretende ter contato mais próximo “com o seu povo” (como costuma dizer) e ser mais produtivo dando vazão, com inteligência, equilíbrio e consciência ao seu instinto social ao mesmo tempo em que desenvolve o seu instinto reprimido. 

O indivíduo cuja sintaxe seja autopreservação/social, terá uma preocupação em fortalecer os laços e união familiares e do trabalho. 

“Habitat natural” para quem tem o instinto social como dominante: igreja, maçonaria, clubes, entidades de classe, torcida organizada de futebol, partidos políticos, grupos familiares, grupos profissionais, condomínios, redes sociais, ONG´s, gangs, quadrilhas, “bondes” (risos), agremiações …

Instinto “SEXUAL”- TRANSMISSOR

O indivíduo cujo instinto principal é o “sexual-transmissor” é personalista e sente uma necessidade muito forte de “transmitir”, entregar algo de si para o mundo, sejam suas habilidades, inteligência, conhecimento, opinião, força de trabalho, afetividade, sexualidade, resultados, legado, mensagem, fluidos corporais (risos) ,etc. 

Embora sejam. como mencionamos, personalistas e até individualistas,  precisam estar conectados a alguém para se sentir entendidos, ouvidos, apoiados, admirados. Diferente do instinto social, o instinto sexual-transmissor não quer reconhecimento e admiração “do mundo todo” ou do seu grupo. A preferência é pela qualidade do entrosamento e da conexão. Há uma clara seletividade e essa seletividade é, obviamente, instintiva. É como se o transmissor procurasse o melhor receptor e esse receptor se tornasse alguém em quem ele pode confiar e se entregar. Pessoas que ele perceba como tendo a mesma “química” ou que se coloque numa posição de validadora, boa receptora e admiradora.

Essa conexão será mais forte na medida em que o instinto sexual-transmissor se sentir ouvido, aceito, aprovado, validado, referendado e apoiado por quem quer que seja.  É muito comum ouvir de uma pessoa com instinto sexual-transmissor dominante ou coadjuvante que ao se sentir apoiada, admirada, entendida e compreendida pelo parceiro, ela interpreta essas atitudes como sinal de amor. Não é necessário, portanto, fazer altas declarações de amor ou ser muito romântico com quem tem o instinto sexual-transmissor, basta ouvi-los com real interesse, ser cúmplice e manter um bom diálogo, aliás, diálogo é o valor mais fundamental para um relacionamento com um indivíduo sexual-transmissor seguido da “química” e da sexualidade.  

Pessoas com instinto sexual-transmissor dão muita importância a afinidade, a essa tal de “química” na atração por outras pessoas. Importante ressaltar que muitas vezes essa “química” pode ser puramente intelectual e não necessariamente sexual ou física. 

A preocupação com a aparência é um fato e essa necessidade influencia e impacta todos os nove eneatipos, cada um com suas características e idiossincrasias próprias. Todos os nove eneatipos cujo instinto principal é o sexual-transmissor tem nuances semelhantes como maior extroversão, afetividade, charme, carisma, vaidade, presença, intensidade, energia e agressividade. São pessoas intensas e facilmente identificáveis. Geralmente monopolizam conversas, falam alto, gesticulando e com entusiasmo. A aparência quase nunca é desleixada ou comum. Quando estão quietas e sozinhas tentam chamar a atenção pela postura, pelo “não verbal” (fazendo pose ou caras e bocas). Ficam sempre atentas para saber quem os está observando, se estão chamando a atenção de alguma forma, se estão agradando ou não. 

No instinto social, o indivíduo sente necessidade de ser admirado socialmente e isso se reflete na busca por status. No instinto sexual-transmissor, essa busca por admiração se assemelha mais à necessidade de aprovação e validação individual. Ele não quer necessariamente ser admirado por todos, mas se sentir bem consigo mesmo no sentido de perceber se está sendo admirado, apreciado, compreendido, aceito e querido.   

O instinto sexual-transmissor transmite, carisma, sedução, força, energia, vontade, agressividade e volúpia, mas tem sérios problemas em ouvir o outro. Lembrem-se que ele gosta primeiro de transmitir. Só depois ele abre os seus receptores para ouvir o que o outro tem a dizer, mas, reconhecidamente, essa não é uma das suas qualidades o que pode (deve) ser objeto de trabalho de desenvolvimento. Quem tem instinto sexual-transmissor tem que estar consciente que precisa ser mais democrático, saber ouvir o outro e dar chance ao outro de transmitir também evitando monopolizar as conversas, as ideias e a atenção. O instinto sexual-transmissor adora “pautar”as pessoas  e dizer aos outros o que eles “precisam ouvir”.   

Na terapia de casal encontramos muitos problemas de comunicação e afinidades justamente pela diferença de instintos entre os cônjuges. O marido social sempre envolvido com seus contatos, amigos e grupos e a esposa autopreservadora querendo que ele pare mais em casa e de atenção a ela e a família ou então um marido sexual-transmissor com uma esposa social. Ele quer programa a dois, de casal,  enquanto ela quer programa em grupos, sempre com os amigos. Trabalhar com a diferença de instintos em casais é fantástico e pode salvar muitos relacionamentos. 

Não há nada pior para quem tem o instinto sexual-transmissor dominante ou de apoio do que ser rejeitado, menosprezado, ignorado, humilhado, criticado, desconstruído. 

Se comportam como um pavão e ficam atentos se estão sendo observados e se estão agradando, sendo admirados ou não. Essas características, repito, refletem em todos os nove eneatipos, cada um na sua forma. Por exemplo, o eneatipo 5 sexual-transmissor é mais extrovertido, mais aberto e emocional, além de ser também mais agressivo, lembrando o eneatipo 8 em determinadas situações e também nutre uma necessidade de ser admirado pelas suas qualidades intelectuais, conhecimentos e competência, lembrando um eneatipo 3.  

O eneatipo 9 sexual-transmissor é charmoso (George Clooney, presidente Obama, por exemplo) e da mais assertividade e presença ao sereno, pacífico, modesto e as vezes “apagado” eneatipo 9. 

Um eneatipo 6 sexual-transmissor é o que chamamos de “contrafóbico”. Reage com agressividade ao medo e a insegurança, fazendo parecer muitas vezes um eneatipo 8. 

Um eneatipo 4 sexual-transmissor intensifica a necessidade de se diferenciar dos outros e geralmente o faz pela aparência. O radicalismo vai depender do grau de inconsciência e disfuncionalidade: muitas tatuagens, cabelos pintados de cores diferentes, body piercings, transformações bizarras no rosto e corpo ou roupas exclusivas. 

 

Quando as necessidades do instinto sexual-transmissor não estão sendo atendidas isso acaba afetando bastante a autoestima e como estratégia compensatória a pessoa poderá se autopromover em excesso, seduzir, chamar a atenção ou tentar mostrar ser mais do que realmente é.  Lembrem-se que o instinto sexual-transmissor precisa ” transmitir”, mostrar e entregar algo de si para os outros, mas precisa também que alguém receba o que ele tem a oferecer.  Podem também se tornar muito agressivos e rebeldes “não estou nem aí para ninguém”, relaxar nos cuidados pessoais, se isolarem, se tornarem promíscuos e sexualmente irresponsáveis. Alguns podem sofrer de vigorexia e transtornos alimentares motivados por uma preocupação excessiva e obsessiva com o corpo ou aparência. 

Relacionamentos é uma área fundamental para o instinto sexual-transmissor. Ficar sozinho definitivamente não é uma opção válida. Muitos indivíduos cujo instinto principal é o sexual-transmissor engatam um relacionamento atrás do outro. Outros adotam o slogan “solteiro sempre, sozinho nunca” dando ênfase à conquista, paquera, casos fortuitos. A conquista sexual/afetiva ou a sensação de seduzir ou de ser seduzido são enebriantes e os principais “ganhos secundários” para o instinto sexual-transmissor.  

O instinto sexual-transmissor gosta de desafios e, mais ainda, da sensação de poder conquista-los e isso se aplica em TODAS as áreas, seja nos relacionamentos, no profissional ou social.  

Em resumo, os três instintos tem uma influência crucial e decisiva na nossa personalidade. Com já dissemos anteriormente, o ego, a nossa personalidade, basicamente trabalha para se moldar e atender as necessidades do Id (instintos). Podemos desenvolver o instinto reprimido ? Minha opinião é que SIM, graças a neuroplasticidade cerebral e psíquica, mas, obviamente, o nosso instinto reprimido nunca se tornará dominante, a nossa sintaxe original será sempre mantida no entanto, podemos tornar o instinto reprimido bem mais funcional tendo em vista que os benefícios gerados por esse instinto nos faz falta, mas não nos damos conta disso (só sofremos as consequências) porque estamos inconscientemente direcionados para obter os ganhos secundários oferecidos pelos instintos principal e de apoio.  O trabalho que precisamos empreender para desenvolver e aprimorar nossos instintos é muito parecido com o nosso trabalho de desenvolvimento da personalidade e envolve consciência, quebra de vícios e paradigmas e conexão com partes até então inoperantes e adormecidas. Se eu sei que tenho o instinto social reprimido, trabalharei para desenvolver habilidades sociais que eu já tenho, mas que ficaram esquecidas, “atrofiadas” em favor das habilidades dos meus outros dois instintos mais dominantes.  É óbvio que minha agenda de contatos não será extraordinária, nem ficarei sempre feliz e energizado em participar de reuniões sociais, mas trabalhar conscientemente para o desenvolvimento do instinto reprimido valerá extraordinariamente a pena, pois ampliará meus recursos pessoais e permitirá expandir minha atuação e consciência.  

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