Eneagrama : A Tríade do Controle

Para as personalidades da tríade do controle (eneatipos 8, 9 e 1) as palavras raiva, frustração, impaciência, decepção e ressentimento são aquelas com as quais eles mais se identificam nos seus dicionários da inconsciência. A questão central é a preocupação em controlar os desígnios da própria vida.  Eles criam uma ideia fixa de como o mundo, as pessoas e a realidade “deveriam” ser e obviamente o resultado nunca acaba sendo o esperado daí, para sentirem raiva, impaciência e frustração, é num piscar de olhos. O estopim para a explosão está na baixa tolerância a frustração, um padrão bem característico dos três. Sendo assim, eles tentam impor na base da força bruta e do controle externo o que querem que aconteça para si mesmos (eneatipo 8) ou usam da teimosia pétrea e da analgesia psicológica na forma de desconexão para manter e preservar sua inabalável zona de conforto, onde lá fazem tudo o que querem, do jeito que querem, quanto querem, como querem e quando querem  (eneatipo 9) ou então tentam se auto controlar e produzir os resultados a partir da própria conduta e atitude,  “dando a si mesmos como exemplo” e ainda, como “bonus”, oferecendo seus préstimos consertando, reformando, arrumando e ajeitando a realidade como ela “deveria ser”, a qual lhe parece caótica e “bagunçada” (eneatipo 1).

Essas personalidades da tríade do controle usam o instinto para agirem. A forma como eles se expressam no mundo é pela ação,  pela atitude, “fazendo alguma coisa”.  Os três tem o perfil de “atarefados”. As abelhas e as formigas expressam bem o comportamento dos eneatipos dessa tríade.  Ficar parados, sem fazer nada, mesmo que contemplando a natureza ou refletindo sobre a vida é algo fora de propósito.  Eles não falam sobre o amor, eles fazem amor. Todos os três carecem de reflexão profunda e conexão emocional.  Os pensamentos mais elaborados e as emoções vulneráveis e delicadas são reprimidos ou negados em prol da ação, resultado de um ego fixado nessa tríade do controle. “Podemos errar pela ação, nunca pela omissão”.

É de fundamental importância para a expansão e o desenvolvimento de todos os nove eneatipos que eles caminhem, circulem livremente por todas as três tríades e quebrem seus padrões de fixação nas suas próprias tríades.

No caso da tríade do controle, os eneatipos 8, 9 e 1 precisam aprender a entrar em conexão com suas emoções e vulnerabilidades, além de ativarem sua racionalidade, planejando mais, analisando mais,  aprendendo a pensar antes de agir, pois são naturalmente impulsivos e deixam para avaliar os resultados e as consequências depois que já os produziram. Todos os três eneatipos da tríade do controle são bem realistas, objetivos e nada filosóficos.  Vão “direto ao ponto”, sem maiores delongas, estilo”pão-pão-queijo-queijo”.

Há uma certa pressa em se conseguir o que quer, exceção para o eneatipo 9 que vê a pressa como uma ameaça a sua zona de conforto e status quo, neste caso,  ele faz tudo devagarinho, sem pressa alguma, para que nada saia do controle e perturbe a sua inquebrantável rotina. Quando não consegue, ele então se “narcotiza”, se desconecta do ambiente ativando o seu modo “protetor desligado”, fazendo alguma tarefa rotineira que lhe é do agrado, meio que no automático, na tentativa de sublimar o estresse . O eneatipo 9, quando pressionado, quando é “apressado”, se conecta disfuncionalmente com a sua parte ” 3 “, agindo rapidamente, mas sem pensar nas consequências e sem sentir absolutamente nada, sem vivenciar ou degustar a experiência ou então se conecta com o  seu “6” quando se torna errático, ambíguo, nervoso, inseguro, atirando para tudo quanto é lado, também sem pensar ou sentir.

O eneatipo 8 enfrenta o estresse negando-o, “passando por cima”, mas, no insucesso, ele se afasta e se encastela, se conectando com sua parte “5”numa espécie de autoexílio, reunindo forças, catando os cacos, lambendo as feridas, mas com alguma reflexão. Reparem que o 8 tem uma excepcional oportunidade de se conectar com sua parte “5” conscientemente para desenvolver a ponderação, a análise profunda, precisa e realista e quebrar aquele padrão disfuncional que lhe é muito característico de “atirar primeiro, fazer perguntas depois”.

 

A vulnerabilidade e o estresse do eneatipo 1 está nele mesmo, na sua impiedosa auto exigência e auto crítica ou quando seus esforços parecem pouco frutíferos ou inócuos. Com isso ele se conecta com sua parte “4”, se vitimiza, dramatiza e personaliza suas dores (“ninguém reconhece meus esforços”) com o agravante que este eneatipo não tem muita afinidade ou habilidade emocional o que pode intensificar e prolongar a crise e o sofrimento. Por outro lado, alguns eneatipos 1 menos inconscientes entram em conexão com sua parte “7” e tentam aliviar o estresse relaxando um pouco, se divertindo, evitando contato com notícias ruins, fugindo dos problemas e da realidade nua e crua  (tal qual um 7 nível médio de consciência)  para então recarregarem as baterias e voltar para a batalha do dia a dia cujo maior inimigo é ele mesmo.

 

 

 

 

 

Os três eneatipos da tríade do controle, em função de suas características comuns,  podem ser taxados de “cabeças duras” o que não será exagero. São muito difíceis de se convencer ou mudar, seja de opinião, visão de mundo, hábitos ou comportamento.  O processo de mudança e desenvolvimento para os eneatipos 8, 9 e 1, portanto, se mostra um desafio para os terapeutas e coaches.  As distorções cognitivas mais comuns são o pensamento binário (certo/errado, bom/ruim, tudo ou nada), o dogmatismo, a ditadura do deveria, a desqualificação do positivo (menospreza ou desqualifica aspectos positivos de si mesmos e dos outros), a falácia da meritocracia (“as pessoas tem o que merecem”), a falácia do controle (acham que tem mais controle sobre si e suas vidas a despeito da realidade mostrar o contrário), a punição e o justiçamento (“todo erro, não importam os motivos ou circunstâncias, merece punição”). Não há meio termos para eles, até mesmo para o “mediador” eneatipo 9 que “concorda com todo mundo” desde que sua zona de conforto não seja ameaçada. Na verdade essa aparente flexibilidade e complacência do eneatipo 9 é apenas uma estratégia visando manter o controle.

A influência dos instintos, assim como nas outras tríades, se mostra marcante e decisiva. Os eneatipos 8 ,9 e 1 cujo instinto é auto-preservação são os mais teimosos e conservadores, além de trabalhadores incansáveis.  O instinto social no eneatipo 8 faz com que ele perca parte da agressividade, do egocentrismo e seja mais solidário, simpático e aberto. É o chamado “contratipo”. Ele não parece se enquadrar na descrição básica do próprio tipo.  No entanto, o instinto sexual-transmissor da a “cara” do eneatipo 8,  personificando toda sua característica básica. A agressividade e necessidade de controle são muito marcantes. O eneatipo 9 sexual-transmissor é o contratipo do 9, fazendo-o parecer e se confundir com um eneatipo 3. O eneatipo 9 social é o mais característico da descrição dos livros, no sentido de ser o tal “mediador”, complacente, apaziguador e agregador. O eneatipo 1 sexual-transmissor lembra muito um 8 pela assertividade e agressividade. Ele fala pelas suas atitudes. O moralismo, o dogmatismo e o conservadorismo são muito fortes e característicos. Já o eneatipo 1 social é menos fechado, reservado e bastante hábil na articulação e na capacidade de liderança.

As tríades do Eneagrama são uma forma muito efetiva de promover o autoconhecimento porque facilita a identificação dos padrões emocionais, cognitivos e comportamentais dos eneatipos e o mais importante, favorece o trabalho de desenvolvimento. Cada tríade representa os padrões e fixações do ego e evidencia o que precisamos desenvolver e para onde precisamos caminhar para expandir a nossa consciência e quebrar nossos padrões mal adaptativos.

Existem inúmeras práticas terapêuticas e holísticas que facilitam esse trabalho nas tríades. Caso seja do seu interesse pessoal ou profissional, entre em contato conosco para cursos online e presencias, workshops ou sessões individuais. Até o próximo post.