“Modus Operandi” dos Esquemas Mal Adaptativos

Acabei de assistir a entrevista de uma atriz comentando sobre o seu personagem na novela: “ela é uma contradição ambulante; é policial, forte, anda com arma na cintura, enfrenta situações extremas, trabalha com homens durões, é durona também, corajosa para pegar bandido, MAS … em termos de relacionamentos afetivos a situação  muda completamente, impressionante !  Ela se torna frágil, burra, mete os pés pelas mãos, se sente vulnerável, chora, enfim, um desastre ! ”

Alguns esquemas agem exatamente assim, principalmente aqueles  do domínio de desconexão e rejeição (abandono, desconfiança e abuso, defectividade, privação emocional, inibição social/alienação). Afetam bem mais determinadas  áreas da nossa vida  do que outras, neste caso, a vulnerabilidade recai sobre os relacionamentos afetivos. Embora os esquemas estejam “entranhados” na nossa personalidade, influenciando nosso jeito de ser como um todo,  em geral  eles são ativados e atuam com mais força em determinadas áreas da nossa vida como relacionamentos, trabalho, vida social. 

É muito comum conhecermos pessoas que são bastante produtivas, socialmente cativantes, mas, em se tratando de relacionamentos, sofrem horrores ou então pessoas que são ótimas companheiras, amigas, parceiros afetivos, mas que não conseguem se estabelecer profissionalmente, enfim, uma das formas de sabermos quais esquemas provavelmente nos dominam é perceber  justamente quais as áreas das nossas vidas são problemáticas,  nos sentimos vulneráveis, frágeis, sem muito recursos psicológicos e emocionais em comparação com outras áreas. Ressalto que muitos esquemas atuam de forma generalizada afetando todas as situações e áreas da vida da pessoa como o fracasso, autocontrole/autodisciplina insuficientes, defectividade, mas mesmos estes, “escolhem”, “influenciam” áreas específicas  fragilizando e machucando a pessoa.

Aquela figura da “família de comercial de margarina” onde todos parecem sorridentes, felizes e plenos é verdadeira …  apenas para vender margarina. A realidade é que nascemos com “lacunas”, com necessidades emocionais não atendidas na relação com os nossos pais e cuidadores e estruturamos esquemas mal adaptativos por conta disso. Como consequência, determinadas áreas de vida serão indelevelmente afetadas. Eu diria que o nosso grande desafio é buscar esse equilíbrio, procurar preencher essas lacunas e curar nossas feridas, mas o que acontece na prática é que as pessoas tentam compensar as carências e necessidades emocionais  envidando tempo e esforço em áreas  em que se sentem mais confortáveis (“hipercompensando”), negando suas fragilidades ou evitando entrar em contato com elas. O resultado é o que testemunhamos todos os dias: sofrimento, confusão,  transtornos e neuroticismos como padrão social. Os saudáveis estão fora da curva.